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Quem lucrou com a saída dos sindicalistas mortos e a Prisão do Caso Linhares? O lado arma, escuro e criminoso dos que representam órgãos de classe de enfermagem de uma reflexão de 1999 a 2024

Por Dr. Thiago Vital Barroso


Entenda o caso - no ano de 1999 os profissionais Enfermeiros Edma Rodrigues Valadão (então presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro) e de seu marido, Marcos Otávio Valadão (presidente da Associação Brasileira de Enfermagem), foram mortos em setembro do citado ano, após denunciarem Gilberto Linhares Teixeira, à época, presidente do Conselho Federal de Enfermagem, de praticar fraudes e irregularidades na entidade.


O casal foi assassinado em 1999


O crime brutal aconteceu sob espécie de homicídio qualificado, assassinados covardemente por investigarem e denunciarem desvio de verbas e manipulação de eleições no Sistema COFEN/Conselhos Regionais (Federal e Regionais), situações nas quais a democracia, a justiça, os direitos e as escolhas dos trabalhadores de enfermagem não foram respeitadas.


O sinistro aconteceu por volta das 09h30min, no Engenho Novo (zona norte do Rio). As vítimas eram a presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro e o presidente da Associação Brasileira de Enfermagem.

O casal estavam dentro do próprio carro a caminho do trabalho, onde foram alvejados por motoqueiros, com silenciadores, à época, as autoridades (Secretário de Segurança Pública do Estado) em entrevista coletiva afirmou que o crime foi sob encomenda e premeditado, pois os assassinos conheciam a rotina do casal.

Os réus, estão o ex-presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) Gilberto Linhares Teixeira, acusado de ser o mandante do crime; o enfermeiro e ex-diretor do Coren Wenceslau Caldeira Constantino, e o agente penitenciário Alfredo Coelho Cavalcanti Filho. De acordo com uma fonte ligada aos sindicalistas mortos, a defesa dos acusados tem, ao longo dos mais de 23 anos, realizado manobras jurídicas para que o caso não fosse para julgamento.


Sobre as investigações das mortes de Marcos e Edma, a polícia juntou duas execuções, fechando um triângulo para a linha de apuração traçada: a morte do enfermeiro Guaraci Novaes Barbosa, ex-diretor do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em 1997, e o assassinato do motorista do Cofen, Carlos Luiz Correa Machado, no início do ano. “O cerco para encontrar os mandantes e assassinos está fechado”, garantiu Josias Quintal.


O dossiê, com mais de 700 páginas e apensos de 5mil, aponta para uma guerra político-administrativa e jurídica entre sindicatos, associações e conselhos de enfermagem no Rio, mas com ramificações em todo o país. Marcos e Edma eram considerados líderes de um movimento contra administrações no Cofen. Nessa batalha, segundo o dossiê, estariam, de um lado, sindicatos e associações, e do outro, alguns conselhos regionais de enfermagem (CORENs) e o Cofen.


O dossiê mostra que o Cofen, principal alvo das discordâncias entre os profissionais de enfermagem, detinha, à época, 470 mil filiados e administrava uma renda anual de mais de R$ 6 milhões. Para levantar os crimes que tiveram conotação nacional, Quintal determinou que o caso fosse investigado por um grupo especial de policiais da Delegacia de Homicídios, Força-Tarefa e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).


Nos dois inquéritos foram feitos cruzamentos de ligações telefônicas e ouvidas pessoas que ainda não prestaram depoimentos, mas que foram citadas nas informações prestadas às duas delegacias.


Guaraci Novaes deixou o Cofen em 22 de abril de 1997, mas em 24 de julho do mesmo ano voltou ao conselho como assessor da presidência (Portaria Cofen 040/97), à época, ocupada por Maria Lúcia Martins Tavares. Menos de um mês depois (em 19 de agosto), o enfermeiro foi morto quando chegava em casa, após deixar Maria Lúcia no Aeroporto Santos Dumont.


Maria Lúcia travava uma luta jurídica contra o ex-presidente do Cofen, Gilberto Linhares Teixeira, com quem Guaraci Novaes foi conselheiro. Com a assessoria de Guaraci, Maria Lúcia formulou acusações contra Gilberto Linhares. Os documentos foram encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério da Justiça, Polícia Federal (PF), Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão e Ministério Público Federal. Em 30 de julho, portanto antes da morte de Guaraci, Maria Lúcia havia pedido segurança à PF.


O sargento PM Paulo Jorge Frisch, que fazia segurança para Guaraci à época, disse que foi uma emboscada. “Dois homens iniciaram os disparos quando o Fiat Prêmio, dirigido por Guaraci, chegou à Rua Leão Godinho”, disse o Policial, que também foi ferido. A morte do motorista Carlos Luiz, de alguma forma, acreditam os policiais, está ligada às mortes de Guaraci, Marcus e Edma. Carlos Luiz foi assassinado em São Gonçalo, em maio, com dois tiros. Em julho de 1998, o Cofen afastou Maria Lúcia, e Nelson da Silva Parreiras assumiu a presidência.


Gilberto e Hortência Linhares foram presos pela primeira vez em 2005 numa operação que combateu fraudes no Conselho Federal de Enfermagem.

Em 1º de dezembro 2004, o Ministério Público Federal, por meio do procurador da República Marcelo Freire, ofereceu denúncia contra 49 pessoas envolvidas em fraudes de licitações no conselho. Entre elas estão o atual presidente do Cofen, Gilberto Linhares Teixeira e sua mulher Hortência Maria de Santana Linhares, o ex-deputado federal José Carlos Coutinho, empresários, representantes de conselhos regionais de enfermagem, além dos últimos quatro presidentes do Cofen e diversos empresários.



Essa notícia tem a finalidade de difundir informação. Não tem por objetivo facilitar ou coordenar atividades que possam causar danos a outras pessoas. O link dos dados da matéria na íntegra podem ser consultados conforme sua produção e de seus autores, com acesso livre nos endereços informados em destaques na notícia.

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